Pessoas tentam burlar sistema para conseguir terras
domingo, 25 de setembro de 2011 às 15:38
Quem parte de Mossoró rumo a Tibau já deve ter notado um grande número de barracos de lona, papelão e taipa que formam acampamento de sem teto às margens da RN 013. Embora o número de barracos impressione, chama atenção a quantidade de carros estacionados nos finais de semana, numa demonstração clara de que nem todos que estão ali são realmente pessoas que precisam de um teto para morar. Alguns até assumem que já possuem imóveis, mas querem ‘um pedaço de chão’.
As condições para quem realmente vive no local são precárias, principalmente as crianças que ficam expostas a doenças, acidentes e estão longe das escolas. Há pelo menos sete meses, as famílias montaram seus barracos no local. Essas pessoas fazem parte do Movimento Sem Terra (MST) e informam que o número já soma 550 famílias, mas nem todas estão lá de forma permanente. O local para os moradores já tem até nome. Chama-se Assentamento Cirilho Oliveira Neto, nome de um antigo integrante que já faleceu.
O aposentado Antônio Damião de Melo é proprietário de um dos barracos e afirma que veio seguir o movimento em busca de trabalho, mas confessou que já possui uma casa em seu nome, onde mora sua família no bairro Santa Delmira, em Mossoró. “Eu vim para cá porque lá em Mossoró não tem trabalho. Aqui eu fico confeccionando coisas com madeira, mas moro aqui sozinho, minha família está em casa”, afirmou.
No acampamento, segundo o desempregado Querginaldo Alves da Silva, existem pessoas vindas de Grossos e de comunidades próximas à Maisa, mas que a maioria é de Mossoró. Segundo ele, de um lado a terra pertence ao Governo do Estado e do outro é uma fazenda de propriedade particular.
No desenrolar da conversa com a equipe de reportagem, Querginaldo relatou que nem todas as 550 famílias que possuem barracos no acampamento moram no local, e que muitas vêm apenas para lazer. “Tem muita gente que passa necessidade aqui, fome, sede, que não tem mesmo onde morar, mas também muita gente turista, que vem aqui somente aos domingos, com Hilux, carrões, fazer churrascos”, afirmou.
Segundo ele, os acampados já buscaram ajuda junto à sociedade. “Nós conseguimos ajuda do vereador Chico da Prefeitura quando viemos para cá, ele nos doou o carro para trazer as madeiras e as lonas, mas agora estamos precisando de água e fomos até a casa dele, mas não fomos bem recebidos, disseram que já haviam nos ajudado e que não tinham mais obrigações com a gente”, afirmou Querginaldo Alves.
Em frente ao seu barraco, ele fez uma horta particular, onde inclusive já colheu. “Eu já plantei feijão, banana, batata, macaxeira, entre outras coisas. Quando estava no período da chuva até que nós colhemos, mas agora está tudo seco”, disse.
O acampado afirmou ainda que as famílias foram cadastradas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) para receberem cestas básicas. “Disseram que iriam mandar fazer um galpão para guardar as cestas básicas, mas não recebemos mais nada”, continuou.
O acampado Gileno Urbano pegou economias que tinha e fez do seu barraco um comércio com itens mais necessários para atender aos demais, mas afirma que tem vendido mais fiado. “Sei que eles vão pagar um dia, mas não me limito a vender só aqui, tenho uma moto velha e saio com ela vendendo por esses assentamentos aqui perto”, destacou.
A realidade no barraco de Ana Lúcia tem sido complicada. Ela mora com dois filhos, um de um ano e outro de 11. “Moro aqui sozinha com meus dois filhos. Meu marido é servente de pedreiro e só vem quando dá, trabalha em Mossoró. Aqui é ruim para criança porque falta água, temos que ir pegar nos assentamentos vizinhos e tem dias que é doce, mas outros é salobra”, disse.
Fonte: Gazeta do Oeste
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