Recentemente, comecei a fazer musculação e natação. Estou perto dos 40 e vi que estava na hora de ouvir as recomendações médicas. Até curto nadar, mas, decididamente, puxar ferro não combina comigo. Sempre achei ridículo quem pedala a ergométrica na vitrine da academia às 7h da manhã. Pois, agora, por causa do meu trabalho atual, sou um deles. Até busquei na internet alguma motivação para sair da cama e fazer exercício. Levei um susto. Acredite ou não, um dos maiores estímulos para ir malhar é arrumar um rolinho.
Está cheio de artigo e pesquisa apontando que paquerar neste ambiente não só é comum como seria saudável. A explicação é que ter alguém de olho na gente mexe com nossa vaidade e nos faz exercitar mais e melhor. Malhar libera endorfina, o hormônio do prazer. Ou seja, a libido fica em alta. E aquele monte de “gente bonita e sarada” – as reportagens diziam, não eu – proporcionaria o encontro ideal. De fato, até vejo conversinhas rolando no meio daqueles instrumentos de tortura da Inquisição Espanhola. E algumas moças não têm medo de borrar a maquiagem na transpiração. Mas tenho dúvidas se a maioria das mulheres curte uma cantada no meio de uma abdominal.
Nunca pensaria em paquerar na academia. Sou o pior aluno da classe. Até uma velhinha que não sai da esteira, como se fosse um hamster em uma gaiola, fica menos esgotada do que eu. Preciso que o monitor me diga sempre para onde ir, pois, pelo visto, sou o único que não decorou os nomes dos aparelhos e a finalidade deles. Passo mais tempo enxugando meu suor dos equipamentos com álcool do que levantando peso. E acho que minha instrutora de natação me pede para nadar “braço estilo peito, perna estilo borboleta” só para dar umas risadas de manhã. Decididamente, não é o ambiente para me aproximar de uma mulher.
Fiquei pensando nos melhores lugares para paquera no dia-a-dia. Uma vez, conheci um sujeito que gostava de puxar papo com a mulherada no supermercado. Se alguém te recomendar um tinto chileno bom e barato na sessão de vinhos, é ele. Até começou a se arrumar mais ao fazer compras. E escolhia bem os itens na cesta. Afinal, se chegar com um saco de Cheetos e uma caixa de Sucrilhos (sabor chocolate), a garota pode achá-lo crianção. Saladinha indica homem que se cuida. Temperos, um que cozinha. E a conversa seria bem eventual, sobre os produtos mesmo. O bastante para chamar a atenção.
Um amigo dizia que filas são propícias para conquistadores. Na verdade, ele se tornou especialista em porta de balada. Sempre fazia amizade antes de entrar nos locais mais lotados. Então, começou a pensar que isso se aplicava também ao cotidiano. No banco, na bilheteria do cinema, no caixa de supermercado… Até arrumou uma namorada na fila para pagar de uma megaloja de construção. Outro tinha uma teoria parecida, sobre salas de espera de consultório médico e dentista. Mas sempre achei anticlimático – sem falar da logística de marcar uma consulta. Transporte público! Lembro de um cara da faculdade que sempre emendava uma conversa com garotas no ônibus.
Resumindo, qualquer lugar que implica espera pode servir de cenário para um romance. Ou, dependendo do ponto de vista, para um suspense. Afinal, ainda são estranhos abordando mulheres em locais públicos, uma imagem nada favorável. Acho que o que propicia a boa paquera nessas horas não é muito o lugar, mas a oportunidade. Quem planeja muito frequentar academias, supermercados ou pontos de ônibus só para flertar está no caminho errado. O segredo é saber aproveitar um clima favorável que surgiu inesperadamente onde quer que seja.
No final, descobri o que me motiva a ir à academia. Não, não é a oportunidade da paquera, longe disso. É a minha mesquinharia. Sou mão-de-vaca e odeio jogar dinheiro no lixo. Quando o despertador acorda e cogito deixar para outro dia, lembro que já paguei seis meses adiantado e pulo da cama rapidinho.
Fonte: m de mulher
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